Os senhores das armas

Outubro 20, 2005 at 2:31 pm 9 comentários

O site do Greenpeace traz uma lista com os principais defensores do NÃO no referendo do desarmamento. São eles:

1. Alberto Fraga
Coronel da PM do Distrito Federal, acusado até pela Revista Veja de ser membro de um grupo de extermínio em Brasília, abusando de sua condição profissional. No Congresso Nacional é o lobista número um não só das indústrias de armas, de quem recebeu 75% de seu financiamento de campanha (dados oficiais do TSE), mas também dos setores conservadores das polícias, impedindo qualquer projeto de lei que tenha por objetivo melhorar ou avançar na modernização destas importantes corporações.

2. Luis Antonio Fleury Filho
Ex-Governador de São Paulo, saiu avaliado como um dos piores governadores de todos os tempos. Como grande marca de sua gestão, além de processos por corrupção, deixou os 111 cadáveres de presos do Carandiru, que lhe rendem mais processos na justiça e uma condenação ao Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Recebeu 50 mil reais de uma subsidiária da CBC – Companhia Brasileira de Cartuchos (dados oficiais do TSE) e no Congresso Nacional votou contra: aumento de penas para porte ILEGAL de armas, marcação de armas para rastrear os BANDIDOS, tipificação do crime de TRÁFICO internacional de armas e outras medidas destinadas a restringir o acesso de bandidos à armas, mas que podiam prejudicar a indústria que paga sua campanha.

3. Coronel Ubiratan
Sempre esteve junto com Fleury. Conhece de perto como funciona a mente criminosa, já que foi condenado pela justiça paulista a 635 anos de cadeia!!! Por ser primário, responde em liberdade e usa as prerrogativas de ser Deputado… Dispensa comentários.

4. Conte Lopes
Ex Policial, recebeu medalhas por "bravura" por diversas ações de brutalidade policial. Foi condecorado, e se orgulha muito disso, pelo Ex Prefeito e Neo Presidiário Paulo Maluf.

5. Jair Bolsonaro
Ferrenho defensor e saudosista da ditadura de 1964. No Congresso Nacional, ao invés de usar seu mandato para contribuir com a sociedade, dedica-se a criar factóides levando e louvando torturadores e outros "amantes da paz e da democracia".

6. Bolsonarinho
Filho de peixe, peixinho é. Na esteira do pai, Jair Bolsonaro, repete seus discursos e ações na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

7. NRA – National Riffle Association
É o lobby das armas americano, o mais poderoso do mundo. Ficou famoso no filme Tiros em Columbine, de Michael Moore, por ser uma organização que faz atos em cidades onde pessoas foram mortas em tragédias com armas, para que elas não se deixem levar pelos fatos e continuem comprando armas. É a principal fonte de dados para a campanha do Não no Brasil, que simplesmente traduz e copia suas estratégias.

8. Taurus/Rossi
Maior indústria de armas do Brasil. Atualmente têm 33% do mercado americano de pistolas. Lucram por ano mais de R$150 milhões de reais com a venda de armas. Tem atuado decisivamente para impedir qualquer avanço no combate ao tráfico de armas em nosso país ou na aprovação de medidas que permitam dar mais meios à polícia para ajudar a identificar desvios de armas. Produzem a imensa maioria das armas utilizadas por criminosos em nosso país e nunca foram responsabilizados por isso. Nos anos 90, depois dos USA, seu maior comprador internacional foi o Paraguai, como se a indústria não soubesse que estas armas não eram para os pouco mais de 6 milhões de paraguaios, mas para voltar pelas nossas fronteiras para armar criminosos.

9. Companhia Brasileira de Cartuchos – CBC
Praticamente monopolista do mercado de munições no país. Pode olhar nas balas perdidas e disparadas por criminosos que você logo encontrará o seu logo. Financia e apóia a campanha do Não e seus defensores. Faturam aproximadamente 160 milhões de reais por ano. Cada vez que um tiro é disparado em nosso país, eles ganham mais um realzinho.

10. Chico Santa Rita
Marqueteiro oficial do Não no referendo. Tem experiência em dar uma cara bonita para causas que só vem depois a prejudicar a população. Assim atuou para eleger Fernando Collor de Mello presidente da República e Orestes Quércia governador de São Paulo.

Acrescento à lista a Revista Veja, a União Democrática Ruralista (UDR), o Deputado Federal Enéas e o pseudo-filósofo Olavo de Carvalho.

Que me desculpem os defensores do NÃO, mas que eles estão muito mal acompanhados, estão!

Leia também: A quem interessa o desarmamento civil?, publicado aqui em 10/10/05.

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Discursos Sediciosos nº14 Discussão sobre referendo termina em tiros

9 comentários Add your own

  • 1. Kitagawa  |  Outubro 21, 2005 às 12:42 am

    Ufa, felizmente tenho opinião própria e coragem para assumi-la. Não concordo com essa tentativa de ideologizar o referendo no ambito da disputa “direita vs esquerda”, “bons vs maus”. Se o regime militar proibisse o comércio de armas (obviamente não faria um referendo sobre isso) a esquerda seria contra. A própria esquerda, em grande parte, já legitimou o uso da arma em casos extremos, seja entrando na guerrilha, seja apoiando moralmente os que nela entraram. Por caso extremo, entendo também alguém tentando entrar na sua casa com uma arma na mão. Se o mundo dependesse dessa visão desarmamentista unilateral estaríamos todos hoje sob o domínio nazista.

    Sou contra a pena de morte, acho o massacre do Carandiru uma tragédia vergonhosa, sou contra a tortura e a brutalidade policial, acho que a pobreza, a exclusão e a desigualdade são as principais causas do alto índice de criminalidade, sou a favor de um mundo sem armas, assim como sou a a favor de um mundo sem fronteiras, sem exploração, sem consumismo, sem exércitos, sem religião, sem prisões… Mas esse desarmamento, nessas condições, é só mais um disparate delirante, autoritario e inconsequente, que é capaz de fazer mais mal que bem. Se o Estado ainda oferecesse uma contrapartida, desbaratando quadrilhas de contrabando de armas, investindo pesadamente na segurança preventiva, na inclusão social, no combate à corrupção dos politicos e da policia… Mas desse jeito fica difícil. A partir do momento em que um pobre coitado aponta uma arma pra mim ou pra minha família dentro da minha casa, ele não pode ser tratado como vítima do sistema. Isso seria um insulto aos pobres coitados que se mantem longe da bandidagem.

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  • 2. Tulio Vianna  |  Outubro 21, 2005 às 8:00 am

    As guerrilhas de esquerda, que eu saiba, nunca usaram armas registradas… seria no mínimo paradoxal registrar uma arma para lutar contra o sistema…

    O que se discute no referendo do próximo domingo é o desarmamento das elites. Trabalhador não tem arma registrada em casa. É às elites que o desarmamento atinge diretamente.

    Defender o NÃO é legitimar as armas da UDR e a resistência deles aos sem-terras. É legitimar o direito de matar para defender o patrimônio nas grandes cidades.

    Toda disputa política é ideológica e o desarmamento é uma postura de direita, ou melhor, de extrema-direita. Só no Brasil que se vê aberrações como esta: esquerda defendendo o direito da elite de ter arma em casa…

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  • 3. Thiago  |  Outubro 21, 2005 às 9:05 am

    Bom, eu poderia montar uma lista com nomes pouco honrosos defendendo o sim também, Rosinha (e) Garotinho no topo. Isso me parece falacioso.

    “Defender o NÃO é legitimar as armas da UDR e a resistência deles aos sem-terras. ”

    Ah tá, porque o MST também não tem armas, né?

    E como assim: ” é o desarmamento das elites. Trabalhador não tem arma registrada em casa.”

    Que ‘elites’ são essas que tem arma em casa? Quem é podre de rico (como alguns artistas que defendem o SIM) contratam seguranças, legalizados e armados. E bom, ser ‘de elite’ e trabalhador não é uma coisa mutuamente exclusiva…

    “É legitimar o direito de matar para defender o patrimônio nas grandes cidades.”. Bom, nas grandes cidades isso já é legitimado, você deve entregar tudo aos bandidos senão te matam.

    E bom, no sentido original da frase, eu não diria uma legitimização, mas uma facilitação (já que ainda é ilegal)

    ” e o desarmamento é uma postura de direita, ou melhor, de extrema-direita.”

    Quem está votando SIM mesmo??

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  • 4. Lúcio Soares  |  Outubro 21, 2005 às 11:01 am

    José Dirceu, José Genoíno, Silvinho, Delúbio… Todos esses são do PT, o grande partido que iria “acabar com a corrupção” (hehehehehehe!), e que apóia INCONDICIONALMENTE o “desarmamento”.

    Também apóiam o “desarmamento” (as aspas são propositais, pois trata-se de uma falácia): Garotinho, Rosinha, ACM NETO, Sarney Filho, Rede Globo de Televisão, Marcelo Crivella…Parabéns, professor Túlio. O sr. está muito bem acompanhado!

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  • 5. Tulio Vianna  |  Outubro 21, 2005 às 7:41 pm

    Só que tem um detalhe: do lado do NÃO os reacionários são maioria e lideram o movimento; já do lado do SIM, há intelectuais do porte de Fábio Konder Comparato, Márcio Thomaz Bastos, Maria Lucia Karan, Dalmo de Abreu Dallari , Emir Sader e Boris Fausto, entre tantos outros.

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  • 6. Márcio  |  Outubro 22, 2005 às 5:09 am

    A questão de ideologizar é muito complicada,já que grande parte da população é desprovida de informação.Como pode falar que,uma pessoa humilde é de extrema direita ou esquerda?E um tanto complicado falar que ele voltou pela força da indústria armamentista,como se fosse uma indústria de ogivas nucleares.Com certeza quem tem ou vai ter arma hoje é a classe média e as elites,mas é bom lembrar que esses não se expõe a tanto,contratam seguranças e repito o que falei em outros tópicos:”São as incoerências do estatuto”.A pessoa física não compra,mas a jurídica=empresa “privada”,compra.Servindo de milícia das elites.No contexto da proibição,com certeza os mais afetados não são elites e classe média;serão os agentes públicos que tem profissão de risco,como já falei aqui.Policiais,promotores,juízes,agentes penitenciários que até hoje lutam pra ter porte funcional,até mesmo guardas municipais.O porte e aquisição de arma e munição dessas pessoas é inquestionável,pois são pessoas super visadas, e eles sim vão ser os mais prejudicados.Mas,porém,aredito que deva haver um bom senso ,qualquer que seja o resultado,para regulamentar alguns dispositivos que garantem e legitimam a aquisição para esses agentes públicos.É bom lembra,que qualquer resultado é resultado de uma violência assustadora,que faz você pensar em comprar uma arma ou abandonr essa idéia.

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  • 7. Lúcio Soares  |  Outubro 22, 2005 às 7:22 pm

    Túlio Vianna disse:

    “Só que tem um detalhe: do lado do NÃO os reacionários são maioria e lideram o movimento…”

    Eu respondo: com o estelionato político do partido atualmente no poder (o PT), com a dissimulação de seus membros (Dirceu, Genoíno, o sr. Presidente…), com a corrupção sem limites…tornou-se difícil para mim dizer quem é reacionário ou não. Quem fala aqui é um sujeito que durante muito tempo acreditou no PT. Se arrependimento matasse…

    Túlio Vianna disse:

    “(…) já do lado do SIM, há intelectuais do porte de … Márcio Thomaz Bastos (…)”

    Eu respondo: Márcio Thomaz Bastos… Ah, sim. É o sr Ministro da Justiça. Ao mesmo tempo em que apóia o “desarmamento” tem a brilhante idéia de revogar a Lei de Crimes Hediondos. Que coisa fantástica!

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  • 8. Kitagawa  |  Outubro 22, 2005 às 10:04 pm

    Só pra lembrar um detalhe. As elites mesmo não precisam de armas. Eles moram em bairros sem traficantes, onde a policia chega em cinco minutos, moram em condomínios fechados, contratam seguranças armados, e o ladrão sabe que se matar um “burgues” e estuprar sua mulher, o caso sai na imprensa e a polícia vai atrás. E como o “sim” no referendo, hipócritamente, não impede ninguém de contratar uma milícia armada para a segurança de suas propriedades, e como só tendo muita grana pra fazer isso, poderia afirmar que o desarmamento é de direita pois ela vai garantir que apenas a elite possa se defender. Sim, pois não é só a elite que sofre com a criminalidade, todos sofrem. E não é só a propriedade privada que esta em jogo aqui, não é só do mero roubo que a maioria teme, mas também sequestros, chacinas, abusos em geral. E como posso dizer, propriedade privada não é de se jogar fora e não é privilégio das elites: tirando alguns “burgueses” exploradores tem tudo no seguro, a maioria dedica sua vida, seu tempo, seu suor para adquiri-la. Que um cara entre na sua casa, ponha a sua vida em risco pra lhe roubar um, dois, dez meses de suor… Isso é escravidão, pra dizer o minimo.

    Não defendo o direito das elites de ter arma em casa, defendo o direito de qualquer um, não importa sua classe social ou ideologia. Poderia tirar esse direito se as circunstancias fossem minimamante decentes pra isso. Mas não. E a priori a casa de qualquer um é seu território, onde aliás o Estado não garante a segurança de ninguém. Se ele quiser ter uma arma lá, vou respeitar. Eu não quero, não preciso, não gosto, mas respeito. Pois quem sou eu, com a minha limitada vivencia de classe média urbana, pra presumir se as pessoas, quaisquer cidadãos, sejam de que classe forem, precisam ou não de arma em casa? Isso é de um autoritarismo e comodismo absurdo. Que cada um tome a decisão por si. O “não” oferece uma oportunidade minima para que essas pessoas obtenham uma arma sob a supervisão do Estado, que se comprometam com a legalidade e com as penas caso façam mal uso dela. O “sim” não vai dar-lhe essa opção.

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  • 9. Bruno Aguiar  |  Outubro 23, 2005 às 1:56 pm

    Diria Macunaíma – O Herói brasileiro:

    – “Eu quero é cuidá da vida! O resto… não me interessa”.

    Este é o pensamento implícito de todos aqueles que votaram pelo NÃO!
    Individualismo, egocentrismo, e merchantismo… eis a sociedade do IMPÉRIO COSMOPOLISTA.

    Breve crônica de Bruno Aguiar – Refletindo o Sim, publicado em 18/10/05

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