Alcatraz tupiniquim

Outubro 29, 2005 at 10:21 am 8 comentários

Li na Folha esta pérola das “soluções simples para problemas complexos”:

O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Edson Vidigal, apresentou na quarta-feira (26) uma proposta de que os presídios situados nas regiões metropolitanas sejam implodidos e os detentos, transferidos para unidades construídas em ilhas oceânicas.

Ele apresentou a proposta durante a abertura de um seminário no TJ (Tribunal de Justiça) do Maranhão.

Vidigal defende que o método facilitaria a ressocialização dos presos pois as pessoas que moram próximas a unidades prisionais atualmente deixariam de sentir-se ameaçadas. “Defendo a construção de penitenciárias em ilhas oceânicas. Com isso, estaríamos retirando das metrópoles esses presídios que só servem de desassossego para a população.”

Será que o ilustre ministro já imaginou que a mãe do condenado pode querer visitar seu filho? Ou será que ele vai disponibilizar um carro oficial para pegá-la em casa e levá-la até um heliponto para que tome um helicóptero também oficial e vá até a ilha?

Depois ainda vem com este velho discurso de ressocialização do preso…

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Morre ícone dos direitos civis nos EUA Artigo publicado em Portugal

8 comentários Add your own

  • 1. Dalton França  |  Outubro 29, 2005 às 7:38 pm

    Acho correto a posição do Ministro. Temos que acabar com a demagogia. Cadeia não ressocializa casos perdidos, principalmente casos irreversíveis como o tal do Fernandinho Beira Mar.

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  • 2. Tulio Vianna  |  Outubro 29, 2005 às 7:49 pm

    Casos perdidos são estes profissionais do Direito para quem os condenados criminalmente são como gado.

    Dever-se-ia, isto sim, criar uma faculdade de Direito em uma ilha oceânica e mandar esta turma estudar princípios constitucionais de Direito Penal por lá… quem sabe não aprendem um tal de princípio da humanidade das penas…

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  • 3. Sergio Ferraz  |  Outubro 30, 2005 às 6:51 pm

    Tulio
    Porque vc não participa do forum Direitos Humanos?
    Este mesmo assunto tem rolado por lá.
    Abraço ae

    Responder
  • 4. Lene Cezar  |  Novembro 2, 2005 às 1:32 am

    Na nossa Carta Magna está escrito que para ser Ministro da justiça tem que ter NOTÁVEL SABER JURÍDICO. Isso não é só decorar as leis.
    Será que o Sr Ministro viu uma mãe na audiência?
    Será que ele já foi a um presídio no dia de Visitas?
    Com certeza não! Ele teria visto o carinho das mães com os filhos presos.
    Quando há motim de presos, vemos em todos os canais de Tv as mães do lado de fora desesperadas, chorando de preocupação com os filhos.
    Será que ele nunca viu isso? Ou será que ele acha que preso não tem mãe? Ou então, porque os filhos deles não vão para a cadeia mesmo quando cometem crimes hediondos, como por exemplo, os assassinos do ìndio Patachó.
    Fico indignada com tantas mazelas da nossa justiça!
    Abraços
    LeneCezar

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  • 5. Rita isabel  |  Novembro 2, 2005 às 1:08 pm

    É realmente um absurdo certos comentários destituídos da observação da realidade brasileira, em que mundo será que ele vive?
    Nós advogados observamos de perto a dificuldade que o preso enfrenta para se reintegrar ao corpo social, ninguém oferece trabalho, ninguém empresta dinheiro, ninguém dá uma bolsa de estudo…então é insuportável e muito infeliz perceber que o Presidente do STJ está empenhado não em discutir soluções humanitárias e ajudar a reconstruir vidas..mas, em sim em escondê-las…tenha a santa paciência…é por isso que eu quero ir pra Jmaica, mas lá tem Juiz também né, ah e MP… que droga rs…

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  • 6. Elilian Kelly  |  Novembro 7, 2005 às 4:22 pm

    Isso é um absurdo! Não é retirando o detento e colocar-mos em ilhas oceânicas que fará uma intervenção. Acho isso um tremendo desrespeito as famílias dos presos e um tremendo de um preconceito. Não é esse “método que mudará a criminalidade”. Vamos dá uma profissão a essa massa, fazer terapia ocupacional, não somente “comer dos nossos impostos”, vamos proporcionar ao detento uma intervenção psicossocial!

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  • 7. Samuel Cersosimo  |  Novembro 28, 2005 às 12:47 am

    Hahahaha, muito bom o comentário de (29/10/05 às 19:49 – Tulio Vianna).
    Tudo que se refere a cumprimento de pena é complicado. Como disse o prof. Amilton Bueno de Carvalho em um congresso aqui em Salvador, “o Direito Penal não cumpre nem nunca cumpriu o que promete”.
    Devo concordar. Na minha opinião, a ciência penal precisa se focar nas penas alternativas. Para os casos em que a pena de prisão seja inevitável, sou a favor de um sistema de trabalho “forçado”. Pois é, forçado sim, pois o trabalho dignifica, diferentemente das correntes que afirmam que isso iria ferir a dignidade do preso. O que fere a dignidade do preso é ficar recluso no ócio, em locais fétidos, dormindo entre ratos, ou sequer dormir, esperando a sua vez no revezamento do sono, pois não há espaço. Vamos perguntar ao mendigo de rua se ele sentiria sua dignidade ser desrespeitada se o Estado o obrigasse a trabalhar em troca de comida e um lugar para dormir? Assim, embora a princípio pareça absurdo, o preso que se recusasse a trabalhar não teria direito a comer. Isso refletiria nada mais que a realidade, penso eu. Se um pai de família nega-se a trabalhar, morrerão de fome ele e sua família. Por quê deveria ser diferente na penitenciária?
    Bom, espero que essas idéias não sejam consideradas “soluções simples para problemas complexos”, mas sim o que são mesmo: idéias, ainda pouco fundamentadas, de um estudante de Direito que acha um absurdo ouvir aplicadores do Direito Penal admitirem a sua ineficácia, e, ainda assim, ver surgir, cada vez mais, leis que tipificam todo tipo de ilícito.

    Responder
  • 8. Alvaro Martins  |  Junho 23, 2007 às 8:45 am

    Caro Tulio,

    Nada contra ressocializar os presos, mas a sociedade tem o direito de ser protegida. Por que o direito do preso em ser ressocializado vem antes do direito da sociedade ser protegida.

    PS- o congresso nacional devia ser mandado não para uma ilha, mas pro fundo do mar, a despeito do impacto ecológico.

    Responder

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